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El presidente veta el proyecto de nuevo estatuto de Azores 
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Iberista
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Nota El presidente veta el proyecto de nuevo estatuto de Azores
El presidente de Portugal, Aníbal Cavaco Silva, veta el proyecto de nuevo estatuto de las Islas Azores


El presidente de Portugal, Anibal Cavaco Silva, anunció hoy, en un sorpresivo discurso por televisión, que devolverá al Parlamento el proyecto del nuevo estatuto de la región de las Islas Azores, ante el que expresó "serias reservas".

Cavaco, líder histórico del Partido Social Demócrata (PSD, conservador) que "cohabita" con un primer ministro socialista, José Sócrates, alegó sobre todo el rechazo del Tribunal Constitucional y cuestiones relativas a las relaciones entre los poderes públicos y la jefatura del Estado para argumentar su veto.

El mensaje al país del presidente, anunciado con poca antelación e inesperado incluso para un portavoz del gobierno, había levantado diversas especulaciones entre los medios y los políticos lusos.

Tras la alocución, portavoces de los partidos conservadores y del comunista se mostraron comprensivos con su contenido y expresaron la voluntad de atender las observaciones presidenciales cuando el proyecto vuelva a ser revisado en la Asamblea Legislativa.

Pero los socialistas de las Azores, principales promotores del nuevo Estatuto, aseguraron que sólo apoyarán el cambio de las cuestiones consideradas inconstitucionales por el Tribunal y no otras apuntadas por el jefe de Estado.

Cavaco criticó que, según el proyecto, antes de disolver la Asamblea Legislativa Regional el Presidente de la República debería oír a ese órgano y al presidente del Gobierno Regional, lo que no establece la Constitución para disolver el Parlamento nacional.

En este último caso, el jefe de estado no tiene que oír ni a la Asamblea nacional ni al Primer Ministro, sino solamente al Consejo de Estado y a los partidos.

Cavaco también objetó que para nombrar al Representante de la República en las Regiones Autónomas deba escuchar a sus parlamentos porque expondría al jefe de Estado a quedar "en el centro de un debate".

El proyecto de estatuto, sostuvo, pone en causa la separación de poderes y las competencias de los órganos de soberanía consagrados en la Constitución, y se remitió a un dictamen que le ha enviado en ese sentido el Tribunal Constitucional.

El nuevo estatuto busca poner en práctica un "modelo avanzado de autonomía", observó el presidente, pero debe hacerlo "en armonía con la separación de poderes y las competencias" establecidas en la Constitución.

Los 147 artículos del proyecto de Estatuto Político Administrativo del archipiélago de las Azores, que es junto a Madeira una de las dos regiones portuguesas con régimen especial de autonomía, fue aprobado este año por la Asamblea Legislativa de las islas y por el Parlamento nacional.

Pero Cavaco ya había comunicado a los legisladores algunas de sus observaciones y el pasado día 4 pidió un dictamen sobre la constitucionalidad de 13 artículos, y ocho fueron considerados efectivamente inconstitucionales por el alto tribunal.

Entre ellos se encuentran cuestiones referentes a la disolución de la Asamblea Legislativa, declaración de estado de sitio o de emergencia, organización de las fuerzas de seguridad, presupuestos y diversas regulaciones y derechos.


05 Ago 2008 19:12
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Nota 
Cavaco arrasa novo estatuto dos Açores
Presidente acusa os deputados de colocarem em risco o equilíbrio entre os vários poderes políticos.

Rita Tavares

A enorme expectativa criada em torno da segunda comunicação ao país do Presidente acabou no que já se sabia ser inevitável: a devolução do estatuto político-administrativo dos Açores ao Parlamento. Mas o PS avisou logo ontem que apenas vai alterar as normas declaradas inconstitucionais.

No entanto, sobre o diploma chumbado há dois dias pelo Tribunal Constitucional, Cavaco acrescenta outras “sérias reservas”, em concreto, sobre os riscos que as alterações possam trazer para o equilíbrio de poderes entre os órgãos de soberania.

Tal como Mário Soares fez, em Setembro de 1986, também Cavaco Silva mandou para trás alterações ao estatuto político-administrativo dos Açores aprovadas por unanimidade do Parlamento “sob pressão no final da sessão legislativa”. A frase consta na comunicação ao país que Soares fez, nessa altura, para vetar politicamente o diploma.

Mas se, em 86, Soares temeu as “interpretações destabilizadoras” do novo estatuto - provocadas pelo peso dado aos símbolos regionais -, ontem, Cavaco Silva mostrou receios sobre o perigo que ele possa trazer “para o princípio fundamental da separação e interdependência dos poderes”. A preocupar o Presidente está, “acima de tudo”, a norma sobre a dissolução da Assembleia Legislativa açoriana.

De acordo com o Presidente com o novo estatuto, antes de dissolver aquele Parlamento, Cavaco “estaria sujeito a mais deveres de audição e consulta” para a dissolução da Assembleia Legislativa do que para a da República.

Para além disso, Cavaco criticou a obrigação, contida no diploma inconstitucional, de o Presidente ouvir o Parlamento regional na nomeação e exoneração do Representante da República nas Regiões Autónomas. Bem como o “procedimento de audição qualificada” que é transversal ao diploma e que “restringe” os poderes de decisão dos órgãos de soberania.

Ontem, Cavaco quis “alertar os portugueses”, mas também frisar que “em devido tempo”, já o tinha feito em relação aos “vários dirigentes políticos”. No entanto, o estatuto teve a unanimidade tanto do Parlamento nacional como do regional açoriano.

Para além destas considerações políticas, já na terça-feira passada o Tribunal Constitucional tinha chumbado oito das 13 normas sobre as quais o Presidente tinha levantado dúvidas. O veto era suficiente para Cavaco Silva o reenviar para a Assembleia da República, mas o Presidente quis dramatizar a situação. “Se não achasse que se estava a abrir um precedente muito forte, não tinha falado ao país”, havia de dizer pouco depois, já à entrada do “Star Tracking”.

O conteúdo da intervenção presidencial “não foi uma novidade” para Manuela Ferreira Leite que assegurou intervir junto dos seus deputados para considerarem a alteração das normas referidas por Cavaco. Para o CDS, este “não é um assunto menor, é um Estatuto tão importante para uma região periférica, quanto para o resto do país”, frisou Nuno Melo. No BE, João Semedo espera que o novo estatuto “entre em vigor o mais depressa possível e ainda antes das eleições”. Uma urgência semelhante à manifestada pelo PCP.


Outras comunicações presidenciais ao país

Ramalho Eanes, Presidente entre 1975-85
Perante a instabilidade de 70, eram sucessivas as comunicações. Em 1978, Eanes exonerou Soares e deu a escolher aos partidos: ou a formação de um acordo governativo na Assembleia ou ele próprio formaria Governo. Vingou a segunda.

Mário Soares, Presidente entre 1985-95
Logo em 86 Soares falou ao país para vetar o estatuto político-administrativo dos Açores. Outra das comunicações foi quando Cavaco renunciou à liderança do PSD para dizer que convocaria eleições se isso não criasse problemas ainda maiores.

Jorge Sampaio, Presidente entre 1995-05
Duas das comunicações de Sampaio foram sobre o processo Casa Pia (2003 e 2004), das vezes em que o seu nome apareceu envolvido. No final de 2004, outras duas: uma para dar continuidade ao Governo PSD-CDS, outra para o dissolver.


As dúvidas

- O diploma em causa obriga o Presidente da República a ouvir a Assembleia Legislativa dos Açores, os seus grupos parlamentares e o Presidente do Governo Regional em caso de dissolução da Assembleia Legislativa Regional.

- Ouvir a Assembleia da República da Região na nomeação e exoneração do representante da República nas Regiões Autónomas coloca o Presidente da República no “centro de um debate parlamentar regional e fragiliza politicamente o representante da República.”

- “O procedimento de audição qualificada” restringe os poderes de decisão dos órgãos de soberania.

- A limitação dos poderes de revisão do Estatuto pelo Parlamento, às normas que tenham sido objecto da iniciativa da Assembleia Legislativa Açoriana implica restrições excessivas ao poder de iniciativa legislativa do Parlamento nacional.


05 Ago 2008 19:22
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