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Ferreira Leite pergunta se "não seria bom haver seis meses sem democracia" para pôr "tudo na ordem"
18.11.2008 - 17h20 Lusa
A presidente do PSD, Manuela Ferreira Leite, perguntou hoje se "não seria bom haver seis meses sem democracia" para "pôr tudo na ordem", num comentário às reformas que o actual Governo tem realizado em áreas como a justiça, educação ou saúde.
No final de um almoço promovido pela Câmara de Comércio Luso-Americana, Ferreira Leite elegeu a reforma do sistema de justiça "como primeira prioridade" para ajudar as empresas portuguesas. Questionada sobre o que faria para melhorar o sistema de justiça, a líder social-democrata demarcou-se da atitude do primeiro-ministro, José Sócrates, que "na tomada de posse anunciou como grande medida reduzir as férias do juiz".
Defendendo a ideia de que não se deve tentar fazer reformas contra as classes profissionais, Ferreira Leite declarou: "Eu não acredito em reformas, quando se está em democracia...". "Quando não se está em democracia é outra conversa, eu digo como é que é e faz-se", observou em seguida a presidente do PSD, acrescentando: "E até não sei se a certa altura não seria bom haver seis meses sem democracia, mete-se tudo na ordem e depois então venha a democracia".
"Agora em democracia efectivamente não se pode hostilizar uma classe profissional para de seguida ter a opinião pública contra essa classe profissional e então depois entrar a reformar - porque nessa altura estão eles todos contra. Não é possível fazer uma reforma da justiça sem os juízes, fazer uma reforma da saúde sem os médicos", completou Manuela Ferreira Leite.
A presidente do PSD disse que a última coisa que faria num discurso de posse como primeira-ministra seria "atacar fosse quem fosse" e acusou o Governo de ter falhado as reformas da educação, saúde, Administração Pública e justiça.
"Qualquer político que pretenda alterar um sistema não o pode fazer contra esse sistema. Portanto eu acho que estão arrumadas, no mau sentido, as reformas da educação, saúde, Administração Pública, justiça. Fizeram-se umas coisitas, mas não é a reforma", considerou.
À saída do almoço-debate, Manuela Ferreira Leite não quis responder às perguntas dos jornalistas, que tentaram questioná-la sobre as suas declarações relativas à democracia.
A presidente do PSD respondeu apenas à primeira questão, sobre o ministro da Agricultura, Jaime Silva, dizendo que mantém todas as críticas que fez à política agrícola do Governo: "Não retiro uma vírgula àquilo que disse".
Polémica
PCP considera declarações de Ferreira Leite "infelizes e despropositadas"
18.11.2008 - 19h44 Lusa
O PCP classificou de “infelizes e despropositadas” as declarações da líder do PSD sobre a democracia, numa altura em que “direitos, liberdades garantias” estão sob pressão.
“Estas declarações são naturalmente infelizes e despropositadas”, comentou o líder parlamentar do PCP, Bernardino Soares, reagindo a um discurso proferido esta tarde por Manuela Ferreira Leite na Câmara de Comércio Luso-Americana.
A presidente do PSD defendeu que, em democracia, não é possível fazer reformas contra as classes profissionais, como sucedeu com as recentes alterações no sector da justiça e acrescentou: “Eu não acredito em reformas quando se está em democracia. "Quando não se está em democracia é outra conversa, eu digo como é que é e faz-se. E até não sei se a certa altura não seria bom haver seis meses sem democracia, mete-se tudo na ordem e depois então venha a democracia”.
Reagindo a estas declarações, Bernardino Soares lamentou o tom do discurso, afirmando que “o PSD pode dizer que é ironia, mas há ironias que não se podem fazer e esta é uma delas”.
Para o líder parlamentar comunista, as afirmações de Ferreira Leite são “mais graves e despropositadas” quando se assiste, no país, a “um ataque aos direitos, liberdades e garantias” seja na “legislação do trabalho ou até no direito de manifestação”.
Ex-líder do PSD pede escolha de nova direcção
Menezes: "Sá Carneiro deve dar voltas no túmulo" com declarações de Ferreira Leite
18.11.2008 - 19h05 Lusa
Luís Filipe Menezes defendeu hoje que o PSD escolha “rapidamente uma nova direcção”, depois da presidente do partido, Manuela Ferreira Leite ter questionado se "não é bom haver seis meses sem democracia" para "pôr tudo na ordem". O antigo líder social-democrata considera que as declarações "raiam o absurdo" e afirma que Sá Carneiro "deve dar voltas no túmulo" por ver o partido que fundou "defender que a democracia devia ser suspensa".
Defendendo a ideia de que não se deve tentar fazer reformas contra as classes profissionais, Ferreira Leite declarou no final de um almoço promovido pela Câmara de Comércio Luso-Americana: "Eu não acredito em reformas, quando se está em democracia...". "Quando não se está em democracia é outra conversa, eu digo como é que é e faz-se", observou em seguida, acrescentando: "E até não sei se a certa altura não é bom haver seis meses sem democracia, mete-se tudo na ordem e depois então venha a democracia".
Menezes considera as declarações da líder do PSD "particularmente infelizes quando se está a poucos dias da evocação de Sá Carneiro, por ocasião do aniversário da sua morte, a 4 de Dezembro. "Quantas voltas estará a dar no túmulo Sá Carneiro ao ver o seu partido defender que a democracia deve ser suspensa", afirmou o presidente da Câmara de Gaia, para quem "o PSD tem de dizer chega, basta".
Menezes gostaria ainda de saber a opinião do Presidente da República, Cavaco Silva, que "foi um grande reformador em democracia e não precisou de suspensões de seis meses".
"Não me lembro de algum líder de um partido democrático fazer uma declaração minimamente semelhante a esta em toda a Europa contemporânea", acrescentou, defendendo que tudo isto prova que "aquilo que disse ser um golpe de Estado contra a anterior direcção foi de facto isso mesmo, um golpe de Estado, porque esta liderança é totalmente desqualificada".
Por tudo isto, sustentou, "não é possível ao PSD não fazer eleições. Não é possível conviver com isto, com uma direcção política que vive nas nuvens. Ainda por cima num momento em que o PS está tão desgastado e em que seria tão fácil fazer oposição".
"Como o engenheiro Sócrates deve estar sorridente", frisou.
Líder do PSD questionou se "não é bom haver seis meses sem democracia" PS acusa Ferreira Leite de falta de cultura democrática e cívica
18.11.2008 - 18h36 Lusa
O PS acusou hoje Manuela Ferreira Leite, de revelar ausência de cultura democrática e cívica. A reacção socialista surge depois da líder do PSD ter questionado se "não é bom haver seis meses sem democracia" para "pôr tudo na ordem", num comentário às reformas que o actual Governo tem realizado em áreas como a justiça, educação ou saúde.
Defendendo a ideia de que não se deve tentar fazer reformas contra as classes profissionais, Ferreira Leite declarou no final de um almoço promovido pela Câmara de Comércio Luso-Americana: "Eu não acredito em reformas, quando se está em democracia...". "Quando não se está em democracia é outra conversa, eu digo como é que é e faz-se", observou em seguida, acrescentando: "E até não sei se a certa altura não é bom haver seis meses sem democracia, mete-se tudo na ordem e depois então venha a democracia".
Em reacção a estas declarações, o presidente do grupo parlamentar do PS, Alberto Martins, manifestou o "repúdio veemente" dos socialistas, considerando que as palavras de Ferreira Leite "são antidemocráticas, reveladoras de uma cultura autoritária e de ausência de cultura cívica". "A democracia não pode ter intervalos de seis meses. O contrário da democracia é a ditadura - e só quem não sabe o que foi a ditadura pode admitir intervalos lúcidos para a democracia", contrapôs o líder da bancada socialista.
De acordo com Alberto Martins, estas declarações "inaceitáveis" da líder social-democrata surgem na sequência "de atitudes anteriores que têm já um traço muito significativo". "A suspensão de um deputado [do PND] na Madeira, as declarações xenófobas sobre ucranianos e cabo-verdianos, a insensibilidade social com o aumento do rendimento mínimo e o silêncio cúmplice com o Banco Português de Negócios são traços distintivos de uma atitude não democrática e não responsável por parte da líder do PSD", acusou ainda Alberto Martins.
Confrontado com a hipótese de Ferreira Leite estar apenas a usar a ironia quando se referiu a um hipotético período de seis meses sem democracia, o líder da bancada socialista reiterou as suas críticas. "Não há ironia quando se apela a uma ideia de interrupção da democracia. A democracia custou muito a construir aos portugueses, é uma ética e uma técnica, uma forma de Governo e um conjunto de valores - e um dos valores essenciais é o da liberdade", respondeu.
19 Nov 2008 14:37
Taquión
Iberista
Registrado: 16 Ago 2007 15:40 Mensajes: 1733 Ubicación: d'aquí p'allá, no paramos
É improvável a sua renúncia depois de uma coisa assím? Ou no seu partido não dizem nada?
_________________
19 Nov 2008 15:11
***
Iberista
Registrado: 30 Nov 2007 21:20 Mensajes: 2195
Sim, disse o Menezes, o ex-líder do partido. É a segunda notícia.
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